domingo, 4 de maio de 2014

A rábula do profeta Marcello

Circula pela Internet uma citação atribuída a Marcello Caetano, um ditador. Como é hábito por estas andanças, são às centenas os internautas a embandeirar em arco, dando-lhe razão. Consideram mesmo ser a execrável figura capaz de profetizar sobre a situação sócio-económica do Portugal pós-regime ditatorial. Mas afinal que citação é esta e onde circula? É isto: “Em poucas décadas estaremos reduzidos à indigência, ou seja, à caridade de outras nações, pelo que é ridículo continuar a falar de independência nacional. Para uma Nação que estava a caminho de se transformar numa Suiça, o golpe de Estado foi o princípio do fim. Resta o Sol, o Turismo e o servilismo de bandeja, a pobreza crónica e a emigração em massa. Veremos alçados ao Poder analfabetos, meninos mimados, escroques de toda a espécie que conhecemos de longa data. A maioria não servia para criados de quarto e chegam a presidentes de câmara, deputados, administradores, ministros e até presidentes de República”, palavras atribuídas ao ditador. E podemos encontrar isto pelas tão apelativas redes sociais, pela blogosfera e, até, em alguns canais de informação on line (e.g., http://maiortv.com.pt/o-que-disse-marcelo-caetano-sobre-o-25-de-abril/).

Há quem ache que não se deveria dar atenção às divagações fantásticas que pairam pela Internet, ou mesmo a este tipo de jornalismo-que-o-queria-ser. No último caso, há quem defenda que este é um artigo de opinião e, como tal, deve ser respeitado. Pois, mas as opiniões devem ser fundamentadas, senão são pesporrências de quem tem acesso fácil a canais abertos à opinião pública e lucra com isso. Na verdade, e sem querer entrar em teorias da conspiração, esta é uma forma muito subtil mas eficaz de divulgar ideias e incuti-las na população, principalmente a mais jovem. Ora sendo estas ideias de cariz fascista, cabe a cada um de nós, defensores da democracia, contra-atacar. Numa época em que a informação circula rapidamente, até nem é difícil aceder às fontes, coisa que os senhores jornalistas-que-o-queriam-ser nem se deram ao trabalho de fazer (afinal, sabe bem ser sensacionalista, é do ser humano).

Após alguns minutos de busca pela Internet (sem sequer ter de visitar uma biblioteca ou qualquer arquivo histórico), deparo-me com o esperado: as declarações são falsas!Baseiam-se numa passagem do livro “Marcello Caetano, Confidências no Exílio” de Joaquim Veríssimo Serrão (Verbo, 1985; pag. 208), como se pode aferir pela foto abaixo. As declarações originais são: “Sem o Ultramar estamos reduzidos à indigência, ou seja, à caridade das nações ricas, pelo que é ridículo continuar a falar de independência nacional. Para uma nação que estava em vésperas de se transformar numa pequena Suiça, a revolução foi o princípio do fim. Restam-nos o Sol, o Turismo, a pobreza crónica e as divisas da emigração, mas só enquanto durarem. As matérias-primas vamos agora adquiri-las às potências que delas se apossaram, ao preço que os lautos vendedores houverem por bem fixar. Tal é o preço por que os Portugueses terão de pagar as suas ilusões de liberdade.", portanto sobejamente diferentes. Não deixa de ser irónica a hábil forma como censuraram as palavras do ditador.

Era esta a forma do seu pensamento, manter a guerra, a escravatura, a ideia de superioridade de um povo sobre o outro. E não deixa de ser ridículo o ditador pensar que a revolução de Abril’74 levaria à pobreza crónica e à emigração; afinal ela estava, à época, instalada na sociedade Portuguesa – o acervo histórico que o comprova é amplíssimo. Não dizendo ele mentiras, quase tem piada o facto de o ditador estar contra uma forma de imperialismo, neste caso o das potências económicas que detêm o monopólio das matérias-primas energéticas. Portanto não há nada de profético, nem de admirável no mundo novo deste ditador. E foi por isso que se lutou. Contra uma guerra que se provou inútil, contra a falta de liberdade, contra a estagnação económica, social e cultural vivida na altura. E é por isso que todos devemos dilacerar este embrião que teima em desenvolver-se não só em Portugal, mas em toda a Europa. A mim chega-me ter de lidar com os avanços do partido do clã Le Pen, em França, e dos partidos de ideologia xenófoba na Suiça. E nem vale a pena falar na Hungria e na Polónia. A extrema-direita pode e deve ser travada, bastando para isso informar a população. Apesar de tudo, prefiro saber que o chefe de estado de muitos países Europeus, incluindo Portugal, é actualmente eleito por sufrágio universal. Se os cidadãos Portugueses fazem ou não um bom uso desta arma democrática, isso é outra discussão. Entretanto, 25 de Abril sempre!!! Viva a liberdade! Contra qualquer tipo de opressão política, social e intelectual, apoio incondicionalmente todos aqueles que lutam por escancarar as portas que um dia Abril abriu.

                                                                       Saint Louis, 4 Maio 2014



domingo, 9 de fevereiro de 2014

Vociferam os energúmenos da extrema direita Suiça

É mais ou menos isto: "Queremos acesso ao mercado livre Europeu, exportar os nossos produtos (e são logo 60% das exportações), mas incomoda-nos a circulação livre de pessoas. Portanto, tomamos um decisão. Nós, sozinhos."

Aguardo reacções da UE.

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Hã!?
Comecei a ver mas... inconsegui.
Deu-me um medo frustracional. Lá está.

Alguém me sabe dizer se no fim do vídeo vem o contacto do dealer?


sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

E quanto a praxe?

Parece que anda muita gente em negação. Não atirem areia para os olhos, principalmente aos dos outros. Se as praxes não eram isto, como muitas virgens ofendidas estrebucham, então foi nisto que se transformaram. Ponto!




Quanto ao que penso dos duces, como o de Coimbra, é mais ou menos isto:


e isto:
Prós e contras da praxe

Tenho dito.
Actualidades

Em França, um suspeito de homicídio foi libertado devido a um pormenor técnico: um documento não foi enviado a horas porque o fax não tinha tinta. Na era medieval este problema nunca teria acontecido. Haveria, certamente, outros problemas, mas não este que tem lugar num mundo dito desenvolvido tecnologicamente.

Em Espanha a família real está em mudanças para um novo palácio. O da justiça.

sábado, 4 de janeiro de 2014

Melhor piada de 2013

Ainda dizem que não se faz nada pela cultura neste país.
Olha a quantidade de museus recentemente inaugurados: o do Benfica, o do FCPorto, o do Cristiano Rónalde...

(ouvida aqui)